
A dermatofitose é uma infecção fúngica superficial que afeta a pele, os cabelos, os pelos e as unhas. Popularmente conhecida como micose, essa condição é causada por fungos chamados dermatófitos, que se alimentam de queratina, proteína presente nessas estruturas do corpo humano.
Embora seja uma doença comum e, na maioria dos casos, tratável, a dermatofitose pode se tornar persistente, recorrente ou até mais grave quando não é diagnosticada corretamente ou quando o tratamento é feito de forma inadequada.
Este artigo reúne informações atualizadas, com base clínica, para explicar o que é dermatofitose, quais são seus sintomas, os principais tipos, como ocorre a transmissão, quando procurar um médico e quais são as opções de tratamento mais eficazes, incluindo medicamentos e medidas de prevenção.
O que é dermatofitose?
Dermatofitose é uma infecção causada por fungos dermatófitos que acometem tecidos ricos em queratina, como a camada superficial da pele, os cabelos e as unhas. Esses fungos não costumam invadir tecidos profundos em pessoas saudáveis, mas podem provocar inflamação, descamação, coceira e alterações estéticas importantes.
Dermatofitose é uma micose causada por fungos que infectam pele, unhas e cabelos, provocando coceira, manchas, descamação ou alterações nas unhas e fios.
Os principais gêneros de dermatófitos envolvidos são:
- Trichophyton
- Microsporum
- Epidermophyton
Cada espécie possui preferência por determinadas regiões do corpo e diferentes formas de transmissão.
Quais são os principais sintomas da dermatofitose?
Os sintomas variam conforme a área do corpo afetada, o tipo de fungo e a resposta imunológica da pessoa. Em geral, a dermatofitose apresenta evolução lenta e pode piorar progressivamente sem tratamento adequado.
Sintomas mais comuns
- Coceira persistente (leve a intensa)
- Vermelhidão local
- Descamação da pele
- Manchas circulares ou placas avermelhadas
- Bordas elevadas com centro mais claro
- Ardor ou sensação de queimação
- Mau odor (especialmente nos pés)
- Espessamento, descolamento ou alteração da cor das unhas
- Queda de cabelo ou falhas no couro cabeludo
⚠️ Em crianças, idosos, diabéticos e pessoas imunossuprimidas, os sintomas podem ser mais intensos ou atípicos.
O que causa a dermatofitose?
A dermatofitose ocorre quando há contato com fungos dermatófitos em condições favoráveis à sua proliferação, como calor, umidade e maceração da pele.
Principais causas e fatores de risco
- Uso frequente de sapatos fechados e úmidos
- Suor excessivo (hiperidrose)
- Não secar bem a pele após banho
- Frequentar piscinas, academias e vestiários
- Compartilhar toalhas, roupas, calçados ou pentes
- Contato direto com pessoas infectadas
- Contato com animais contaminados (especialmente gatos e cães)
- Diabetes mal controlado
- Uso prolongado de antibióticos ou corticoides
- Sistema imunológico enfraquecido
Como a dermatofitose é transmitida?
A dermatofitose é transmitida pelo contato direto com pessoas, animais, objetos ou superfícies contaminadas por fungos dermatófitos.
As principais formas de transmissão incluem:
- Contato pele a pele
- Uso compartilhado de objetos pessoais
- Pisos úmidos contaminados
- Solo infectado
- Animais domésticos com micose
- Fragmentos de pele ou cabelo contaminados no ambiente
Tipos de dermatofitose (classificação por local)
A dermatofitose recebe nomes específicos conforme a área afetada, geralmente precedidos do termo tinea.
Tinea pedis (frieira ou pé de atleta)
É a dermatofitose mais comum, afetando principalmente os espaços entre os dedos dos pés.
Sintomas
- Coceira intensa entre os dedos
- Descamação esbranquiçada
- Rachaduras
- Ardor
- Mau cheiro
- Em alguns casos, bolhas
Fatores associados
- Uso prolongado de sapatos fechados
- Ambientes úmidos
- Prática esportiva frequente
Tinea cruris (micose da virilha)
Afeta a região da virilha, parte interna das coxas e nádegas.
Sintomas
- Coceira intensa
- Vermelhidão com bordas bem delimitadas
- Sensação de ardor
- Descamação
É mais comum em homens, pessoas com sobrepeso e em climas quentes.
Tinea corporis (micose de pele)
Acomete áreas expostas do corpo, como tronco, braços e pernas.
Sintomas típicos
- Manchas circulares ou ovais
- Bordas avermelhadas e elevadas
- Centro mais claro
- Coceira variável
Tinea capitis (micose do couro cabeludo)
Mais comum em crianças, pode ser transmitida por contato direto ou por objetos compartilhados.
Sintomas
- Queda de cabelo localizada
- Falhas arredondadas
- Descamação
- Crostas
- Em casos graves, inflamação intensa (querion)
Tinea barbae
Afeta a região da barba e bigode, geralmente em homens adultos.
Sintomas
- Placas avermelhadas
- Pelos quebradiços
- Inflamação local
- Dor ou sensibilidade
Onicomicose (micose de unha)
Afeta unhas das mãos ou dos pés e costuma ser de tratamento mais prolongado.
Sintomas
- Unhas amareladas, esbranquiçadas ou acinzentadas
- Espessamento
- Fragilidade
- Descolamento da unha
- Mau odor em casos avançados
Como é feito o diagnóstico da dermatofitose?
O diagnóstico é feito por dermatologista, com base em:
- Avaliação clínica das lesões
- Histórico do paciente
- Exames laboratoriais quando necessário
Exames utilizados
- Raspagem da lesão para exame microscópico
- Cultura fúngica
- Lâmpada de Wood (em alguns casos)
- Exame histopatológico (raramente)
Tratamento da dermatofitose: abordagem completa
O tratamento depende:
- Do tipo de dermatofitose
- Da área afetada
- Da extensão da infecção
- Da resposta ao tratamento inicial
O tratamento da dermatofitose envolve antifúngicos tópicos ou orais, higiene rigorosa da pele e medidas para evitar reinfecção.
Antifúngicos tópicos (cremes, pomadas e sprays)
Indicados para infecções leves e localizadas.
Exemplos comuns
- Clotrimazol
- Miconazol
- Cetoconazol
- Terbinafina
- Ciclopirox olamina
- Econazol
⏱️ Tempo médio: 2 a 4 semanas
Antifúngicos orais (sistêmicos)
Indicados quando:
- Lesões são extensas
- Há acometimento das unhas ou couro cabeludo
- Falha do tratamento tópico
- Paciente é imunossuprimido
Medicamentos mais usados
- Terbinafina
- Itraconazol
- Fluconazol (em casos específicos)
⚠️ Devem ser prescritos por médico, com avaliação de função hepática quando necessário.
Tratamento da onicomicose
A micose de unha exige abordagem prolongada.
Opções
- Antifúngicos orais por semanas ou meses
- Esmaltes medicamentosos (amorolfina, ciclopirox)
- Combinação de terapias
⏳ O crescimento completo da unha saudável pode levar 6 a 12 meses.
Tratamento caseiro: o que realmente ajuda?
Alguns recursos naturais podem auxiliar no alívio dos sintomas, mas não substituem o tratamento médico.
Opções complementares
- Óleo de melaleuca (uso tópico diluído)
- Babosa (aloe vera)
- Chá de sálvia para compressas
- Vinagre diluído (em casos leves e com cautela)
⚠️ O uso inadequado pode piorar a lesão ou causar irritação.
Autocuidados essenciais durante o tratamento
- Manter a área afetada limpa e seca
- Secar bem entre os dedos e dobras da pele
- Trocar roupas íntimas e meias diariamente
- Não compartilhar objetos pessoais
- Lavar toalhas e roupas com água quente
- Evitar coçar as lesões
- Usar o medicamento pelo tempo prescrito, mesmo após melhora
Como prevenir a dermatofitose?
Como evitar dermatofitose?
Mantendo a pele seca, evitando compartilhar objetos pessoais, usando calçados ventilados e tratando rapidamente qualquer lesão suspeita.
Outras medidas:
- Usar chinelos em áreas públicas
- Alternar calçados fechados
- Higienizar calçados
- Tratar animais domésticos quando necessário
Possíveis complicações da dermatofitose
Quando não tratada adequadamente, pode causar:
- Infecções bacterianas secundárias
- Espalhamento das lesões
- Deformidades permanentes nas unhas
- Queda definitiva de cabelo (em casos graves)
- Recorrências frequentes
Quando procurar um dermatologista?
Procure avaliação médica se:
- Os sintomas persistirem por mais de 7 a 14 dias
- Houver piora das lesões
- A micose atingir unhas ou couro cabeludo
- O paciente for criança, idoso ou imunossuprimido
- O tratamento inicial não funcionar
A dermatofitose é uma condição comum, mas que exige diagnóstico correto e tratamento adequado para evitar complicações e recorrências. Com acompanhamento médico, uso correto dos antifúngicos e cuidados diários com a pele, a maioria dos casos evolui para cura completa.

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